Biólogas da USP encontraram drogas que revertem danos em células nervosas causados por uma mutação genética
Feito inédito só foi possível por causa de dente de leite doado por menino de oito anos portador do transtorno
Um dente de leite doado por um menino autista de oito anos permitiu a cientistas testar pela primeira vez a ação de medicamentos sobre células nervosas afetadas por esse transtorno psiquiátrico.
Aproveitando tecido vivo extraído da amostra cedida, a bióloga Karina Griesi Oliveira, da USP, identificou uma mutação genética no paciente. Depois, ainda conseguiu recriar os neurônios dessa criança em laboratório para investigar quais eram os problemas em suas células.
Tudo começou em 2009, quando os pais do menino o levaram ao serviço de aconselhamento genético do Instituto de Biociências da USP para uma avaliação.
A criança já tinha o diagnóstico de autismo, mas nunca havia feito exame genético para investigação das causas. A coleta do dente de leite dos pacientes é praxe na instituição desde 2001, ideia da geneticista Maria Rita Passos-Bueno. O objetivo é obter amostras de DNA e material vivo para culturas de células.
Ao estudar o DNA do paciente, Karina não conseguiu associá-lo a nenhuma variedade genética de problema psiquiátrico. O menino era portador de autismo clássico, transtorno que em geral é atribuído a uma combinação de múltiplos genes, talvez associados a problemas de desenvolvimento embrionário ou ambientais.
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